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Los Roques: paixão ao primeiro mergulho

Na nossa vida, tem um capítulo chamado Los Roques! E para o nosso diário, temos que ir por partes, pois é muita coisa e muita beleza para partilhar. Esta será a primeira parte de algumas que iremos escrever. A primeira vez que fomos para Los Roques foi um misto de medo, animação e deslumbre… não necessariamente nesta ordem. Quando a gente começou a procurar as informações, era uma coisa meio perdida e muitas informações desencontradas, isto ainda no ano de 2008. Vamos tentar resumir (se é que isto é possível) um pouco a história.

Começamos a pesquisar em 2008, tentamos ir pela primeira vez em 2009, mas algum gatuno nos roubou as milhas durante 2009 :-( e tivemos que adiar um pouco, só indo a primeira vez mesmo em 2012. Como é sabido, a Venezuela está em crise faz um bom tempo e essa crise criou um mercado de troca de moeda muito grande, então a primeira coisa que nos fez querer ir foi justamente isso: nosso dinheiro valia bastante e ainda vale.

Quando a gente começou a ver a cotação, estava em mais ou menos 10 bolívares fortes para 1 dólar, mas a gente via que era um negócio bem obscuro, difícil até, mesmo assim resolvemos tentar, pois este câmbio ilegal deve ser feito no aeroporto mesmo, com a polícia te olhando e podendo até te prender… Fechamos tudo por email e por ligações via skype.

Ficaríamos 5 dias ao total, mas o grande problema é que o voo da TAM só chegava em Caracas  no fim da tarde e o outro voo que ia para Los Roques só voava durante o dia. Isso era 2012. Para se ter uma ideia do câmbio negro e da crise venezuelana, em julho de 2014, estava 65 bolívares para 1 dólar e em junho de 2015 já estava 250 bolívares para 1 dólar!

Aqui entra a pior parte de todas: o voo de São Paulo para Caracas leva umas 6 horas, cansativo e apertado (poltroninhas pequenas), pelo menos foram duas refeições!

Pois bem, chegando em Caracas é que a gente viu o porquê de tanta coisa na internet. O aeroporto parece bem sucateado, a mala demora bastante para aparecer (quando aparece). A imigração é uma coisa lenta, preguiçosa, ficamos quase uma hora para entrar no país. Como tínhamos fechado vários contatos por internet, havia um cara esperando por nós e por alguns mais, para que pudéssemos pernoitar em Caracas.

Fomos de van para o hotel, maior climão dentro, uma vez que Caracas é a segunda cidade mais violenta do mundo. Depois de rodar algum tempo (durante a noite) por ruas estranhas, chegamos no paraíso  hotel Catimar! O Catimar velho de guerra é pra onde quase todos os turistas são levados, sem mais nem menos te jogam lá e dizem que no outro dia te buscam para que você pegue seu voo para Los Roques (ESSA INFORMAÇÃO FOI VÁLIDA ATÉ O PRIMEIRO SEMESTRE DE 2014, EM OUTRO POST, CONTAMOS AS MUDANÇAS).

Nesse hotel (arrepios só de ouvir o nome), o atendente olha para nós e diz: seu quarto é numero tal no terceiro andar, mas o elevador não funciona e ao entrar no seu quarto, NEM SEQUER ABRA A PORTA, OK?! Pensamos: que maravilha, né? Bora rezar para sair vivo daqui. Bem, isso porque a gente não viu que no restaurante não podia entrar armado, o que quer dizer que no resto podia! Antes de ir dormir, a gente viu uma geladeira cheia de águas para vender, pedimos uma e “gentilmente” o atendente disse que não, pois já estava fechado! Como assim? Bem, não adiantou, subimos as escadas, nos trancamos no quarto, não abrimos pra ninguém e dormimos com sede mesmo!

Ah! Conseguimos trocar dinheiro ali mesmo, ficamos bem felizes de conseguir 10 dinheirinhos (a gente nunca lembrava o nome: Bolívar forte) para cada dólar! Depois descobrimos que já estavam pagando 12 ou 13.

No outro dia de madrugada, às 4h, fomos de volta para o aeroporto. Chegando lá, fizemos o check-in da Gran Pequeña Companhia Aerea, a Chapi Air, uma das que levam para Los Roques. Fechando com eles, o pacote sai muito mais em conta, porque a pousada Acquamarina é do mesmo dono! O embarque seria feito na pista mesmo. Pesamos as malas e tivemos que pagar um pouco de excesso, uma vez que só são permitidos 10 quilos por pessoa. Sim, só isso!

A melhor parte foi quando pegamos um carrinho para ir para a pista. Chegamos perto de um avião, bem teco-teco e eles mandam uma parte desembarcar, nós que ficamos na van morremos de rir da cara de pavor do pessoal de entrar em um avião de 14 lugares! Então, o carrinho anda uns 15 metros e paramos perto do nosso: 8 passageiros! 😐 Pavoroso.

Embarque glamour em Caracas!

Embarque glamour em Caracas!

Dá pra desistir? Rumo a Los Roques!

Dá pra desistir? Rumo a Los Roques!

As portas serão fechadas automaticamente!

As portas serão fechadas automaticamente!

Olha! Dá pra bater um papo com o piloto durante o voo até Los Roques!

Olha! Dá pra bater um papo com o piloto durante o voo até Los Roques!

Depois da pavorosa decolagem, cansados que estávamos, até dormimos sentadinhos no avião. Quase uma hora depois, começa o show.

Dá pra ver todos os detalhes: do mar...do avião! Isso é Los Roques!

Dá pra ver todos os detalhes: do mar…do avião! Isso é Los Roques!

Você começa a se dar conta de que vai conhecer o paraíso! Chegando no “aeroporto” de Los Roques (se nos permitem que seja chamado assim), na espera estão pessoas com pequenos carrinhos (como aqueles que os entregadores de bebida usam no Brasil) para carregar as suas malas até a pousada.

Recepção calorosa no

Recepção calorosa no “aeroporto” de Los Roques!

E uma plaquinha de bem-vindos!

Entrada do Parque Nacional de Los Roques!

Entrada do Parque Nacional de Los Roques!

Você chega a Los Roques desnorteado. Em Caracas, as pessoas, em geral, são bastante ríspidas, existe toda essa atmosfera de medo (piorada pela chegada à noite), depois você quase morre de medo em um aviãozinho minúsculo (ênfase no micro tamanho) e quando chega não consegue nem enxergar devido à cor da água. E o calor? 30 graus! Mas que 30 graus!

Fomos conduzidos à nossa pousadinha, quem nos esperava era o Juan Pablo (depois virou nosso amigo, mesmo sendo argentino… hehe). Ele explica toda a sistemática e oferece um bem-vindo café da manhã, porque era fome para mais de 10 horas sem comer! Depois disso, simplesmente te olha e diz: podem se trocar e ir à praia! Assim, na lata!

E como vai para a praia? Bem, duas ilhas que são mais próximas: Francisqui e Madrisqui são ofertadas de graça pela pousada, ou seja, você vai até o píer e pega pequenas embarcações que te levam para essas duas ilhas que ficam a menos de 5 minutos da ilha principal, Gran Roque. Os outros passeios são bem mais longos e pagos, mas a preços bem módicos!

Super pier de Los Roques!

Super pier de Los Roques!

Cada vez que você vai, eles te dão uma “cava”, uma caixa térmica com as suas provisões para o dia: almoço, sobremesa, pequenos lanches para a tarde, refrigerante, água e nessa época ia até cerveja. Chegando lá, o barqueiro e o ajudante descarregam todo mundo e todas as tralhas: duas cadeiras (como estávamos em um casal), um guarda-sol MUITO BEM-VINDO, porque o sol de Los Roques é de rachar a cabeça! Quente o dia inteiro, não é brincadeira…

Parece que vai chover!

Parece que vai chover!

Nesse primeiro dia, encontramos dois casais de brasileiros, passamos a tarde com eles (estávamos na mesma pousada). Fomos para alguma ilha que não lembramos exatamente o nome agora. Até chuva teve, mas durou uns 2 minutos e depois já estavam lá os 30 graus novamente.

Em Los Roques, é assim: descuidou-se com o protetor, se torrou! A água é morna e, como boa parte destas ilhas, está protegida por um extensa barreira de corais: é muito calmo e perfeito para mergulhar.

Que cor de água em Los Roques!

Que cor de água em Los Roques!

A visibilidade é de 100% em muitos trechos, chegando a uns 50 metros!!

Sim, Los Roques é o paraíso!

Sim, Los Roques é o paraíso!

Existem muitos cachorros em Gran Roque e vários nas ilhas, não sabemos ao certo como chegaram por ali. O que se tem por certo é que são bem tratados pelos turistas que todos os dias lhe dão comida, água e um pouco de amor retribuindo suas caras de pidões!

Me dê sua comida!

Me dê sua comida!

Eu vou ficar na sua sombra!

Eu vou ficar na sua sombra!

Não me amole que eu estou vendo o mar, ok, humano?

Não me amole que eu estou vendo o mar, ok, humano?

Essa é a cerveja que vinha na faixa dentro da cava!

Cerveja Solera. Boa e barata, como quase tudo em Los Roques!

Cerveja Solera. Boa e barata, como quase tudo em Los Roques!

Após passar a tarde na ilha, é hora de voltar! Todo mundo fica rezando pro barqueiro não esquecer do pessoal na ilha, mas eles sempre aparecem, desmontam tudo e você volta para Gran Roque. Regressando, a pousada te dá um lanche leve e você pode tomar um banho (a água é dessalinizada, pouca e não há chuveiro elétrico, mas dá pra tomar banho, uma vez que o calor é sempre intenso).

Lá pelas 1930h (todos os dias), as pousadas servem a janta, que assim como a cava, é meio padrão. Um prato de entrada, que você devora em segundos de tanta fome de passar o dia inteiro na praia, um prato principal (geralmente peixe, raramente frango e nunca carne de boi) e uma sobremesa (sempre divina) tudo regado a muito refrigerante local e água!

Anoitece super cedo, o jantar é cedo, mas alguns estão derrubados por ficar o dia no sol e outros aproveitam e ficam por ali mesmo, jogando conversa fora e sendo mutilados pelos milhões de pernilongos (sim, você precisa passar grossas camadas de repelente, dormir com um bom espanta pernilongos) e rezar para a luz não acabar de noite e eles não te carregarem pra fora (todos os dias acaba a luz, mas as pousadas têm gerador e ela logo volta).

Fechando o post enooorme da primeira parte. São 50 e poucas ilhas, algumas que se pode ir, outras que são protegidas e não são visitáveis para os turistas. Olha o mapinha do paraíso:

Mapa do arquipélago de Los Roques

Mapa do arquipélago de Los Roques

No outro dia de manhã, levanta todo mundo na mesma hora, o café é avisado por uma sinetinha, todo mundo come na mesma mesa e outro dia de muita praia recomeça. Essa foi a foto do pessoal que conhecemos na pousada, tudo lindo, tudo gente boa e super feliz!

Amigos conquistados em Los Roques, todos brasileiros!

Amigos conquistados em Los Roques, todos brasileiros!

Este “pequeno” post foi para contar a aventura até chegar no paraíso. E me perguntam: vale a pena? A primeira vez foram 5 dias, a segunda ficamos 10 (segunda viagem, em 2014, durante a Copa do Mundo) e temos planos que toda hora aumentam, mas um mês no mínimo é nossa meta de paraíso! E viva a Revolução (frase que você verá em MUITOS lugares na Venezuela!).

Já foi pra lá? Tem vontade de ir? Conhece alguém que foi e disse algo peculiar? Comenta para o pessoal ver também, vai lá!! 😉

Espalhe!!!